

1 – PREPARATIVOS INICIAIS
Após treze anos, retornei novamente á Argentina. Em 1995 fui á Passos de Los Libres juntamente com meu tio Alair Bullé. Naquele momento, fomos de carro, através de estradas do Rio Grande do Sul que dão acesso á Argentina. Agora, em 2008, eu e minha irmã Simone fomos á Buenos Aires, a mais européia das capitais americanas.
A Argentina, assim como o Brasil, faz parte da América do Sul, tem um vasto território , envolvendo uma área de 2.766.889 km², fazendo fronteira com Uruguai, Bolívia, Chile, Paraguai e Brasil.
A principal cidade da Argentina é sua capital, Buenos Aires, mas também possui outras cidades economicamente importantes como Córdoba, Mar del Plata, Rosário, Bariloche e Mendoza. Sua população atingiu a marca dos 35.219.000 de habitantes nos últimos anos. Só como comparação, o Brasil possui hoje 187.000.000 de habitantes, quase seis vezes mais populoso que a Argentina.
Assim como os brasileiros, os argentinos também gostam muito de futebol. A Argentina já ganhou duas vezes a copa do mundo de futebol. Em 1978, quando a copa foi realizada na Argentina, a equipe da casa venceu os holandeses na final, por 3 X 1, no estádio Monumental de Nuñes. Curiosamente, está copa foi a única em que o Brasil voltou para casa sem o título e sem ter perdido nenhum jogo. Num regulamento diferente do adotado nas copas mais recentes, em 1978 as seleções que se classificassem para a segunda fase, disputavam uma outra chave de quatro seleções. Nesta segunda fase existiam duas chaves de quatro equipes e a vencedora de cada chave fazia a final. O Brasil havia caído na chave da Argentina, Peru e Polônia. Na última rodada do quadrangular, Brasil e Argentina estavam com o mesmo número de pontos ganhos, o Brasil ganhou da Polônia, mas a Argentina enfiou uma sonora goleada nos peruanos por 6 x 0 e classificou-se para final, por saldo de gols. Já em 1986, a copa foi realizada no México e Diego Maradona no auge da carreira ao lado de Valdano, Burruchaga, Pumpido e demais companheiros venceram a Alemanha na final, por 3 x 2, no estádio Azteca.
Ir á Buenos Aires é viajar na história, pois foi e é, o cenário onde algumas pessoas ilustres viveram e se imortalizaram. Entre alguns deles, podemos citar Carlos Gardel, Evita Perón, Che Guevara, Diego Maradona, Gabriela Sabatini, entre outros. E é justamente para lá que nós fomos.
Nossa viagem começou muito antes do embarque, propriamente dito. Num primeiro momento compramos um pacote de viagem pela empresa CVC, uma das mais conceituadas companhias de turismo do Brasil e do exterior. O pacote com três dias e três noites, mais o hotel três estrelas com café da manhã incluso, nos custou $ 850.00 (dólares) por pessoa, cerca de R$1.600,00.
Nossa partida para Buenos Aires aconteceu no dia 20 de janeiro de 2008, ás 10:20hs, no aeroporto internacional de Guarulhos. A companhia aérea em que viajamos foi a TAM.
Antes de partimos, nos dias que antecederam a viagem, procuramos obter o máximo de informações possíveis sobre a Argentina. Costumes, língua falada, moeda (dinheiro) vigente no país, casas de câmbio, bancos e locais de câmbio (troca de dinheiro), documentos necessários para estrangeiros, pontos turísticos mais famosos, telefones da embaixada do Brasil em Buenos Aires, telefones úteis em caso de emergência, entre outras coisas que nos familiarizasse com este lugar ao qual ainda não conhecíamos.
Neste início de preparação, após várias consultas e pesquisas na Internet, achamos mais conveniente e seguro trocar o dinheiro (reais por pesos) no Banco Safra do aeroporto de Guarulhos em São Paulo. Esta troca foi feita no dia de nosso embarque. A moeda (dinheiro) atual da Argentina é o peso argentino, que está valendo bem menos que o real brasileiro. Na cotação do dia em que viajamos $ 1,00 (um) peso argentino estava valendo R$ 0,70 (centavos de real). Nós trocamos aproximadamente R$ 1.000,00 (mil reais), o que em pesos deu o equivalente à $ 1.429,00 (mil quatrocentos e vinte e nove pesos). Para efetuar a compra ou venda de moeda nacional ou estrangeira é necessário à apresentação do CPF regularizado e a identidade. Vale lembrar que para efetuar este tipo de operação os bancos ou agências de câmbio cobram a taxa de $ 5,00 (dólares).


2– ENFIM, BUENOS AIRES
Após três horas de vôo, ainda nas alturas, Buenos Aires já podia ser vista pelas janelas do avião. A capital argentina é uma grande planície á perder de vista, banhada de ponta-a-ponta pelas margens do Rio da Prata – que mais parece um mar de água doce – tamanha é sua grandeza. Vista do alto Buenos Aires impressiona pela organização da planta da cidade, pois suas ruas seguem sempre em linhas retas se cruzando umas as outras, muito parecido a um tabuleiro de xadrez.
Três solavancos bruscos para baixo e um friozinho na barriga de todos os passageiros precederam os instantes em que o piloto avisou á todos que iríamos pousar. A impressão que sentimos naquele momento é que estávamos em uma imensa montanha russa. Minha irmã e uma amiga de Vitória (Estado do Espírito Santo) ao qual eu conheci durante o vôo, comentaram que nunca tinham visto uma arremetida para baixo com tanta velocidade como aquela. Todos ficaram tensos! Deu medo, mesmo!
Enfim chegou a hora em que eu mais gosto de um vôo, ou seja, a hora em que o avião aterrissa em solo e tenho a certeza que estou em terra firme novamente.
E lá estávamos nós, no Aeroporto Internacional Ezeiza, em Buenos Aires. O aeroporto fica á trinta e cinco minutos do centro da cidade, cerca de 47 km de distância.
Ao descermos do avião, caminhamos pelo saguão do aeroporto para retirar nossas bagagens nas esteiras e em seguida, obrigatoriamente, todos os passageiros caminharam por uma saída que desembocava nas cabines das autoridades argentinas, local este onde tivemos que apresentar o passaporte (ou identidade), juntamente com uma ficha de 10 centímetros por 15 centímetros que continham todos os nossos dados, tais como nome completo, número do passaporte ou identidade, resposta das perguntas sobre o motivo de sua viagem á Argentina, número do vôo e nome da companhia aérea. Esta ficha geralmente é distribuída pelas comissárias de bordo, ainda durante o vôo, para serem preenchidas antes do desembarque na Argentina. O questionário da ficha está escrito em espanhol e inglês. Para brasileiros que não dominam estes dois idiomas recomendo solicitarem ajuda das comissárias de bordo. Vale ressaltar que esta ficha é carimbada na entrada do turista no país e fica em posse do mesmo, devendo ser apresentada novamente para as autoridades argentinas no dia da volta para o país de origem. Esta ficha contém um visto de 90 dias de permanência em solo argentino e perde o valor após este período.
Ao ser liberado pela alfândega Argentina, saímos no saguão de desembarque e a primeira coisa que fizemos foi ir até o balcão de informações turísticas, onde solicitamos “una tabla” (um mapa) de Buenos Aires. Estes mapas são gratuitos e ajudam bastante. Pude neste momento, pela primeira vez, conversar em espanhol com um nativo. Aproximei-me da linda “chica” (garota) que estava no balcão e a cumprimentei: “- !Hola! Que tal? Como estas usted?” Ela educadamente respondeu: “- Estoy muy bien! Y usted? Respondi que estava bem e disse: “- Usted podria darme una tabla?” E prontamente ela me forneceu o mapa. Naquele momento fiquei orgulhoso de mim mesmo, pois tinha estabelecido minha primeira comunicação em espanhol na Argentina, com uma garota argentina, onde ambos tinham se entendido perfeitamente.
Ao passar para a sala de espera do desembarque, onde as pessoas esperam quem chega de viagem, tivemos as primeiras sensações de lugar diferente. Você se sente só, melindroso e acuado, pois percebe que daquele momento em diante terá que lidar com costumes e lugares totalmente diferentes. Mas, os desafios sempre me excitaram e, lá fomos nós!
3 – AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES
Já ao lado de fora do desembarque, no aeroporto Ezeiza, fomos procurar o guia da CVC, que segundo a companhia estaria nos esperando naquele saguão. E assim, o encontramos. Seu nome era Joaquim, aparentando ter seus vinte e quatro anos, cor branca, olhos azuis, média estatura, cabelos negros e enrolados, argentino de nascimento e que se esforçava como nunca, para falar português, mas conseguia somente um portunhol sofrível.
Joaquim nos explicou que antes de nos alojar no hotel, precisaria esperar mais alguns turistas que estavam vindo em outros vôos. Deste modo, sentamos mais à frente, nos bancos do aeroporto, para esperarmos. Ali, pude fazer minhas primeiras análises da Argentina e do povo argentino. Estiquei o máximo que pude meus ouvidos para escutar a pronúncia do espanhol falado pelas pessoas que passavam e as que estavam ao nosso lado, e percebi que o espanhol falado em Buenos Aires na Argentina tem sotaque e entonação italiana, devido à imigração italiana que foi grande em Buenos Aires em datas passadas. Para ilustrar, seria mais ou menos igual ao português falado pelas colônias italianas de São Paulo com aquele jeito alto de falar e um sotaque típico. Vale ressaltar que a língua falada na Argentina é o espanhol, mas em Buenos Aires você também vai ouvir falar de uma gíria chamada “lunfardo”, criada pela marginalidade, por imigrantes, pelos moradores da região portuária e utilizada em diversos tangos.
Quanto às mulheres argentinas, na faixa de 16 á 40 anos, posso afirmar com toda certeza que são lindas de rosto e muito sensuais, mas nossas brasileiras ainda levam grande vantagem em relação à beleza no geral. Uma característica que diferencia muito isto, é que as mulheres argentinas são belas de rosto, mas de corpo as brasileiras tem o bumbum bem mais avantajado. Seria uma dádiva divina dada á umas e á outras não? Não sei. Eu particularmente prefiro tanto uma como outra, mas quem vê uma chica (garota) Argentina mexendo a boquinha para falar com você em espanhol, ficará tentado a se envolver com uma delas.
Já os garotos não tenho como opinar. Uma coisa, porém, um tanto quando diferente, que posso mencionar em relação a eles é justamente que garotos e rapazes com cerca de 16 a 35 anos tem o costume de andar nas ruas com as mãos dadas e se cumprimentam com beijo no rosto quando se encontram. Dizem que isso demonstra carinho e muita amizade. Algo estranho e nem um pouco comum para nós brasileiros.
Alguns minutos se passaram e finalmente Joaquim nos chamou para irmos embora. Entramos em um micro-ônibus ao qual iria nos levar para o Golden Savoy Tulip Hotel, localizado no centro de Buenos Aires, perto do prédio do Congresso argentino. Ao sair do aeroporto o micro-ônibus entrou em uma grande rodovia, que é muito parecida com a Free Way no Rio Grande do Sul e com a rodovia dos Bandeirantes em São Paulo. Ela é larga, bem movimentada, rodeada de pastagem verdejante e segue o tempo todo em uma planície á se perder de vista.
As primeiras imagens de Buenos Aires que pudemos ver pelas ventanas (janelas) do micro-ônibus foram os campos de futebol que fazem parte do centro de treinamento da seleção Argentina. Seria uma espécie de Graja Comary (centro de treinamento da seleção brasileira) deles. Mais á frente foi possível ver algo que eu já mais teria pensado encontrar em Buenos Aires, ou seja, uma espécie de favela de tijolos e blocos baiano, num bairro pobre de casas muito mal construídas onde moram a maioria dos bolivianos e paraguaios que vão tentar uma vida melhor na cidade portenha. Vale salientar que nestes bairros pobres também moram argentinos.
Alguns quilômetros mais adiante, a paisagem mudou e começaram aparecer os primeiros prédios da cidade, mas a estrada e a reta na imensidão da planície pareciam não acabar.
Durante o trajeto, Joaquim, através de um microfone falou através das caixas de som que ficam embutidas no teto do micro-ônibus. Falou sobre o passeio (city-tur) que faríamos no outro dia, pois o dia em que chegamos em Buenos Aires, era um domingo e tudo estava fechado. Combinou também que uma outra pessoa (uma moça chamada Anabella) iria nos buscar ás 9:00hs da manhã do outro dia (segunda-feira), no hall do hotel. Além disso, também nos forneceu outras informações, tais como a maneira mais fácil e barata de fazer uma ligação para o Brasil, as cédulas de dinheiro mais adequadas para utilizar na cidade, entre outras coisas.
Para ligar da Argentina para o Brasil é muito fácil. Na Argentina existem locutórios, que são uma espécie de Lan House, com inúmeras cabines de vidro com porta, com uma cadeira, um balcãozinho com telefone em cima e um marcador de tempo. Você vai até o Balcão na entrada do locutório, pede para o atendente para usar uma das cabines e ela vai lhe dizer à cabine que poderá ser utilizada. No final da ligação você sai da cabine e paga. É possível durante a ligação ver o valor gasto em tempo de ligação. Geralmente o valor de uma ligação de um locutório na Argentina para o Brasil é muito barato. Também existem os cartões de telefone para serem usados nos orelhões públicos nas ruas, onde a ligação fica ainda mais barata. Você pode comprá-los em qualquer banca de jornal ou locutório. Para ligar da Argentina para o Brasil você deve discar 0055 + código da cidade + o número de telefone. Vale lembrar que não é recomendável fazer ligações no hotel, pois fica muito caro.
Um ponto interessante que verificamos logo que de imediato é que em Buenos Aires, assim como em outras cidades do mundo, todos os táxis têm uma cor personalizada que caracterizam a cidade. Em Nova Iorque, por exemplo, os táxis são todos amarelos. Em Buenos Aires, os táxis são pretos e os tetos amarelos, ou seja, até a altura das maçanetas das portas são pretos, deste ponto para cima e o teto dos veículos, são pintados de amarelo. É bonito e interessante, além de ser uma marca exclusiva de Buenos Aires.
O táxi em Buenos Aires também se caracteriza pelo preço da corrida, pois geralmente são muito baratas. Para nos locomovermos pela cidade, viajamos grandes distâncias e pagamos em torno de $ 12 á $ 15 pesos, cerca de R$ 8 á R$ 10 reais, por corrida.
4 – HOSPEDAGEM NO HOTEL
Ficamos hospedados no Golden Tulip Savoy Hotel, localizado na avenida Callao, número 181, no centro de Buenos Aires.
O agente da CVC nos deixou na recepção do hotel onde fizemos o check in de entrada. Em seguida um rapaz colocou nossa bagagem em um carrinho e nos convidou para irmos até o elevador, aonde por seqüência ele iria nos conduzir ao segundo andar até o quarto número 227, local de nossa acomodação.
O Golden Tulip Savoy Hotel é um hotel três estrelas de Buenos Aires. Mas, para nós brasileiros dá a impressão de ter mais estrelas. Muito confortável, com instalações amplas, todos os locais carpetados, paredes com estilo medieval clássico, portas largas em madeira colonial. Sua fachada também é muito bonita em estilo neoclássico. As portas dos quartos não possuem chaves, somente cartões magnéticos que ás abrem quando é introduzido no leitor eletrônico da fechadura. Estes cartões magnéticos foram entregues para nós quando fizemos o check in de entrada. Recebemos dois cartões. Os quartos também possuem cofres que podem ser programados pelos usuários. Sendo assim, todas as vezes que íamos sair para algum lugar, pudemos deixar em segurança, nossos pertences mais valiosos e o dinheiro que não iríamos usar. Ainda nos quartos têm, televisão com TV á cabo, telefone, frigobar, guarda-roupa amplo, cama de casal gigante, ar condicionado, banheiro com banheira de hidromassagem, ect. Vale salientar que o desayuno, o café da manhã como é chamado na Argentina, também estava incluso na diária do hotel e pode-se dizer que durante três dias desfrutamos de um café da manhã muito bom e repleto de variedades de comida. Os funcionários do hotel são muito educados e caso a pessoa não saiba falar espanhol eles se esforçam para falar em português. Haviam muitos brasileiros hospedados neste hotel nos dias em que ficamos lá.
5– ANDANÇAS NA CIDADE
Ainda neste primeiro dia, após nos instalarmos no hotel, saímos ás ruas da cidade para pisar no solo, andar nas ruas, sentir o ar, ter contacto com as pessoas, conhecer o comércio, ver um pouco de tudo neste mundo diferente até aquele momento para nós.
Á princípio, vimos que os ônibus que circulam em Buenos Aires são bem diferentes dos nossos aqui no Brasil. Não são modernos, são um pouco antigos, porém muito conservados e limpos. Cada qual tem sua cor. Existem inúmeras cores de ônibus na cidade. O engraçado é que em 80% da frota de ônibus o itinerário é pintado na fachada do ônibus e não é rotatório daqueles que mudam igual aos ônibus do Brasil. A passagem de ônibus em Buenos Aires também é muito barata, $ 0,70 centavos de peso, cerca de R$ 0,48 centavos de real. É um transporte bom, de fácil locomoção e vantajoso para o bolso.
As avenidas em Buenos Aires são muito largas e compridas, são retas e planas, não tem morro, nem subidas na cidade. As calles (ruas) e avenidas são cercadas de prédios antigos e modernos, muito parecidos com os prédios de Paris, na França e Madri, na Espanha. A impressão que se tem é que você está na Europa.
Violência, assalto e roubo, são coisas que não fazem parte do cotidiano dos argentinos de Buenos Aires. Conforme as inúmeras pessoas as quais convesei, Buenos Aires é uma cidade muito segura e turístas do mundo inteiro se encantam com esta traquilidade e paz. Na prática, pudemos comprovar, que de fato, eles estavam certos, pois você se sente seguro na cidade. Tive a oportunidade de ler os principais jornais da Argentina, o La Nacion e o Clarín, onde em nenhum momento você encontra reportagens falando sobre violência. Tive o capricho de ler uma coluna que trazia as reclamações de alguns leitores em relação à certas coisas no país. As reclamações no geral eram sobre praças que deveriam ser melhores cuidadas, para que as pessoas pudessem usufruir melhor o lazer, a rua que deveria ser melhor sinalizada, as árvores de tal bosque que precisavam serem poudadas, etc. Ou seja, ao contrário dos jornais brasileiros, onde neste mesmo tipo de coluna as reclamações são sobre a violência, sobre a corrupção, sobre o governo e outras coisas mais, os argentinos têem outras preocupações, pois no mundo em que vivem a violência ainda não se manifestou igual no Brasil. Nas ruas de Buenos Aires não vimos quase nenhuma viatura de polícia. Apenas um polícial fardado em cada esquina das grandes avenidas. É realmente um lugar calmo e seguro ao qual caminhamos e andamos tranquilamente durante os dias em que ficamos na Argentina.
Algumas quadras mais adiante do hotel Savoy, andamos um pouco mais e saímos em frente ao congresso nacional argentino que está bem em frente a Plaza Del Congresso (Praça do Congresso). O palácio com colunas iguais ao Partenom na Grécia impressionam pela riqueza de detalhes e pela imponência da construção. O Palácio abrange um quarteirão inteiro.
Na Plaza Del Congresso encontramos algumas barraquinhas que vendem livros usados e bibelôs em geral que custam bem baratinho. A praça em si é muito ampla e bela, com árvores frondosas, monumentos e longo espaço gramado, onde se é possível deitar e tirar uma bela de uma soneca, como costumam fazer alguns argentinos.
Umas das coisas importantes que se deve atentar quando se vai para Buenos Aires é ao dinheiro que se leva. Nós não sabíamos e levamos nosso dinheiro tudo em notas de $ 100 pesos. Isso é um erro, pois a nota de $ 100 pesos vale muito e dificulta o troco. O ideal são notas de menor valor para facilitar na hora de pegar um táxi, um ônibus, um subte (metrô), comprar regalos (presentes), recuerdos (lembrancinhas), ou até mesmo na hora de comer em um restaurante. O peso argentino tem cédulas de $ 2, $ 5, $ 10, $ 20, $50 e $ 100 pesos. As moedas são de $ 1 peso, $ 0,50, $ 0,25, $ 0,10 e $ 0,05 centavos de peso.
Com notas altas no bolso ($100 pesos) tínhamos que trocar o dinheiro e o local escolhido foi um supermercado na avenida Callao, onde fizemos uma pequena comprinha.
Ao entrarmos no supermercado é visível logo de imediato que os produtos nas prateleiras são bem diferentes dos nossos. Nos atentamos em um pouco de tudo. Porém, o que me chamou muito a atenção, foi às cervejas em garrafas de vidro de 1 litro que diferem das marcas brasileiras que são comercializadas em vasilhames de 600 ml. A cerveja mais conhecida na Argentina e em minha modesta opinião á melhor, é a Quilmes. Uma ótima cerveja, leve e com o gosto bem diferente das marcas brasileiras. Uma garrafa da cerveja Quilmes de 1 litro custa $ 2,48 pesos, cerca de R$ 1,71 reais. Porém, caso você resolva tomar esta mesma cerveja em um dos inúmeros cafés e restaurantes de Buenos Aires, você irá pagar muito mais caro, $ 15 pesos, cerca de R$ 10,35. Vale mais comprar no mercado, levar para o hotel, colocar para gelar e tomar por lá mesmo, ou comprar algumas garrafas e trazer para o Brasil.
Neste supermercado, fizermos uma compra básica e conseguimos trocar um pouco do dinheiro.
Em seguida, já estávamos com fome e resolvemos entrar em um estabelecimento que é bem conhecido por nós brasileiros, ou seja, o McDonald’s. Entramos na fila e quando chegou nossa vez pedi dois Big Macs e duas Coca-Colas. Ao contrário do Brasil, na Argentina, os lanches do McDonald’s não são classificados por números, devem ser montados de acordo com o pedido do cliente. Ao fazer meu pedido à atendente não entendeu nada do que eu tinha solicitado e nem eu entendi o que ela falava. A garota falava muito rápido e com espanhol em gíria local. Impossível ao meu entendimento. Porém, com muito custo e inúmeras tentativas de nos comunicarmos, conseguimos comprar os lanches. Porém, nos frustramos muito com o sabor do lanche, com o sal demasiado nas batatas fritas e com o tamanho das bebidas. O lanche (Big Mac) nem de perto lembra o Big Mac do Brasil, os refrigerantes (gaseosas) os sucos (hugos) tamanhos grandes, são os nossos pequenos daqui do Brasil. Não fomos em outros estabelecimentos do Mcdonalds na Argentina, mas que esta loja em que fomos nos decepcionou, decepcionou, muito! Não trouxemos boas lembranças do McDonald’s da Argentina!
6 – MAIS UM DIA NA ARGENTINA
No segundo dia, de nossa estada em Buenos Aires, acordamos ás 7:30 horas, tomamos banho e descemos ao refeitório do hotel para tomar nosso desayuno (café da manhã).
Ás 8:45hs, Anabella, nossa guia da agência de turismo CVC – uma garota argentina, com seus 21 ou 22 anos de idade, 1,65 mt de altura, rosto bem desenhado e delicado, pele branca, olhos castanhos, sobrancelhas grossas e escuras, cabelo escorrido negro, muito bonita e que falava muito bem o português – estava nos aguardando para levar-nos ao passeio, ou seja, o city-tur incluso no pacote de viagem que fizemos.
Entramos no ônibus de 44 lugares da agência, onde já havia alguns passageiros. Nem todos eram brasileiros e estavam hospedados em outros hotéis de Buenos Aires. Naquele momento, ás 9:00hs, iniciamos mais um passeio em Buenos Aires.
Conforme o ônibus foi rodando ao longo da cidade, pudemos observar um pouco mais da capital Argentina.
Conforme nós já havíamos observado no dia anterior, as avenidas da cidade são muito largas e compridas, cercadas por prédios antigos em estilo clássico e também de outros prédios mais modernos. Em Buenos Aires também existem muitas praças, com arvores frondosas e imensos gramados. Se somando a isso, também é possível ver os inúmeros cafés espalhados nas esquinas, com suas mesas e quiosques espalhados pelas calçadas, muito parecido com os cafés de Paris, na França. Uma cidade belíssima, com um patrimônio histórico riquíssimo.
Nossa primeira parada foi em frente à famosa e internacionalmente conhecida “Casa Rosada”. A “Casa Rosada” é a sede do governo argentino, local onde a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, trabalha.
Em frente à “Casa Rosada” encontra-se a “Plaza 25 de Mayo”, local onde foi feita à fundação de Buenos Aires em 1580 e também onde se encontra a Pirâmide de Mayo, construída em homenagem à formação do primeiro governo nacional em 25 de maio de 1810. É também nesta praça que todas as quintas-feiras, reúnem-se as Mães de Maio, num protesto silencioso contra o desaparecimento de seus filhos durante o período da ditadura militar. Vale ressaltar que a ditadura militar na Argentina foi dez vezes mais perversa e sanguinária que a ditadura militar no Brasil.
Nestes locais, pudemos descer do ônibus e tirar fotos dos monumentos históricos das imediações, tais como o Teatro Colón, a Catedral da Cidade, o Museu da Cidade, etc.
Em seguida, embarcamos novamente no ônibus e passamos por alguns bairros de Buenos Aires, como a colonial de San Telmo, Recoleta, Palermo, entre outros.
Mais á frente, nos dirigimos para La Boca, um bairro pobre de origem italiana, onde estão localizadas inúmeras casas coloridas de dois andares, construídas de madeira ou telhas. São construções muito estranhas e bem diferentes do convencional, mas impressionam bastante os visitantes. Em La Boca também está localizado o lendário estádio La Bombonera, do famoso e vitorioso time do Boca Juniors. O Boca Juniors é um dos times de maior expressão nacional e internacional, um papador de títulos. Também em La Boca tem a rua Caminito, que é toda colorida e onde pode se comprar inúmeras lembrancinhas.
O estádio La Bombonera é grande visto por fora, mas por dentro, principalmente o gramado, como contarei mais adiante, é muito, muito, muito, mais muito pequeno mesmo!
Neste dia não pudemos entrar no estádio, pois a visita em suas instalações é paga e dura cerca de 1 hora. O ônibus turístico que estávamos havia feito uma parada de apenas vinte minutos. Porém, diante daquele palco histórico, não podíamos voltar para o Brasil sem conhecer as instalações deste estádio mitológico. Sendo assim, eu e minha irmã combinamos em voltar no outro dia, para conhecê-lo com mais calma. E assim, faríamos.
Nosso passeio com a equipe da CVC terminou por volta das 12:30hs em Porto Madeiro, local este que fica em frente ao Rio da Prata. Um lugar muito bonito para se ver e para tirar algumas fotografias.
Mais adiante, voltamos ao hotel, tomamos mais um banho e saímos para almoçar pela primeira vez em Buenos Aires.
Paramos em um restaurante e cumprimentei a garçonete em espanhol e pedi “una carta” (um cardápio). Vale lembrar que brasileiros que não tenham uma noção básica de espanhol podem se ver em apurados nos restaurantes de Buenos Aires, pois nos cardápios não existem comidas parecidas com as nossas no Brasil. Não existe semelhança. Os nomes dos pratos estão em espanhol e nem sempre é aquilo que o brasileiro imagina.
Tendo eu, num passado, não muito distante, feito um curso de seis meses de espanhol na faculdade onde estudei comunicação social, conseguimos nos virar, o suficiente. Mediante a isso não nos complicamos na hora de comer nos cafés, bares e restaurantes de Buenos Aires.
Neste primeiro almoço, nós comemos pollo + salsa + ramon + queso (frango + molho de tomate + presunto + queijo). Também pedimos “ una cerveza Quilmes de 1 litro e una Coca-Cola”. Lembrando que na Argentina o refrigerante é chamado de gaseosa. A comida que pedimos consistia em um pedaço muito grande de frango à milanesa em formato de bife, com molho de tomate, presunto e queijo por cima. O pedaço do frango abrangia todo o prato. Muito grande! Era tanto frango que ficamos suados de tanto comer! Porém, minha irmã Simone não gostou muito da comida, pois não tinha arroz e feijão. Na Argentina não é comum comer arroz e feijão. Pedimos uma porção de arroz para acompanhar o frango, mas nos arrependemos, pois além de demorarem muito para fazer, nos trouxeram um arroz sem sal, parborizado e muito ruim. Quanto à cerveja, confesso que poucas vezes tomei uma cerveja tão boa. A Quilmes de 1 litro é uma cerveja leve, suave e não é amarga. Muito boa mesmo! Já a Coca-Cola é igual a do Brasil. Este almoço completo nos saiu por $ 42 pesos, cerca de R$ 29,40 (vinte e nove reais e quarenta centavos).
Após nosso almoço, percebemos que nosso portunhol estava dando para se virar em Buenos Aires.
Voltamos para o hotel para trocar de roupa, pois estavam muito quentes os dias em que estivemos na capital da Argentina, cerca de 27º graus á 30º graus. A temperatura nos fazia transpirar bastante. Porém, o calor de Buenos Aires é um calor agradável, com um ventinho fresco a toda hora.
Na parte da tarde, pegamos um táxi em frente ao hotel Savoy e pedimos ao taxista que nos levasse até a calle Flórida (rua Flórida), a mais famosa e badalada rua de Buenos Aires. Esta rua funciona 24 horas por dia e é o maior centro comercial da região, com lojas de roupas, livrarias, papelarias, lojas de produtos eletrônicos, confeitarias, etc. A corrida de táxi nos saiu por $ 8 pesos (R $ 5,60).
Na calle Flórida (rua Flórida) não passam veículos. Ela é um imenso calçadão, onde as pessoas caminham á vontade. Muito parecida com a rua São Bento em São Paulo, porém diferindo na arquitetura dos prédios e na variedade de suas lojas. Um lugar bem mais requintado que a rua São Bento.
É na calle Flórida que também estão inúmeras galerias, sendo a mais famosa a galeria Pacífico. Como uma verdadeira obra de arte, a galeria Pacífico é uma construção clássica em estilo medieval, com pilastras arredondadas, teto oval com pinturas clássicas. É um grande shopping center, dentro de um mausoléu. Algo muito belo e raro.
A calle Flórida é muito comprida e para percorrê-la toda, você tem que caminhar cerca de uma hora e meia. A impressão que se tem ao andar pela calle Flórida é que você está caminhando pelas ruas da Europa. É um outro cenário, pessoas diferentes, tanto as jovens como as mais velhas, andam sempre bem alinhadas, bem arrumadas, são educadas, não costumam comer no meio da rua enquanto caminham, entre outras coisas que fazem do local um lugar único.
7 – ANDANDO PARA CONHECER
Ao caminhar pelas ruas de Buenos Aires é possível encontrar muitos brasileiros. Devido à baixa do dólar e o real estar mais valorizado que o peso argentino, os brasileiros estão indo em massa passar as férias na cidade. É possível encontrar um brasileiro em cada esquina da cidade.
Quanto ao mito que argentino não gosta de brasileiro, confesso que não pude comprovar nada disso. Os argentinos tratam muito bem os turistas brasileiros e aquela rivalidade tão falada é muito forte somente em relação ao futebol. Fomos muito bem tratados na Argentina durante o tempo em que lá estivemos. Foram amáveis e educados para conosco. Um exemplo a ensinar para nós brasileiros.
Durante os dias que estivemos em Buenos Aires, percebemos que a melhor maneira de conhecer a cidade seria caminhar por suas ruas. Teríamos que deixar ônibus, táxi e metrô de lado e caminhar e caminhar. E foi isto que fizemos. Para conhecer, caminhamos muito!
Pegamos o mapa da cidade e procuramos o cemitério da Recoleta, local onde estão os restos mortais de Evita Perón. Após uma longa caminhada pela avenida Santa Fé e outras ruas que dão acesso ao cemitério, chegamos ao local, mas já estava fechado, pois seu horário de abertura era somente até as 17 horas e já eram 19 horas neste momento.
Cansados e com dor nas pernas de tanto andar, rumamos em direção ao nosso hotel e percebemos que Buenos Aires não é uma cidade difícil de andar e se localizar.
Outra coisa interessante é que em Buenos Aires escurece somente as 9:45 horas da noite e ás vezes ás 10 horas ainda há luz do dia. Vale ressaltar que os dias em que estivemos em Buenos Aires eram verão e o mês de janeiro. Talvez em outras épocas do ano escureça mais cedo.
Quanto ao fuso horário, é o mesmo do Brasil, seguindo o horário de Brasília. Inclusive com o horário de verão. Sendo assim, não tivemos que acertar nossos relógios quando chegamos em solo argentino.
Ao findar deste segundo dia de viagem, fomos comer uma pizza e tomar uma cerveja na Pizzaria Continental, uma das melhores de Buenos Aires. A pizza de mussarela é fantástica, muito boa e bem diferente da que costumamos comer no Brasil. A pizza de mussarela veio composta por massa macia, coberta com mussarela, molho de tomate, presunto e pimentão vermelho fatiado. Para acompanhar tomamos uma Coca-Cola ($ 5 pesos) e uma cerveja de um litro ($15 pesos). A conta toda nos saiu por $ 42 pesos argentinos, cerca de R$ 29,40. O mesmo valor que gastamos no almoço.
Ao terminar este segundo dia de visita ao país de Maradona, pudemos perceber também que o comportamento dos argentinos diferem muito de nós brasileiros. A educação é levada á sério. Ao contrário do que ocorre no Brasil, na Argentina quando uma mulher gostosa passa na rua, os homens não esticam o pescoço para trás, para olhar a sua bunda. Eles olham discretamente quando a mulher passa em sua frente, mas de forma discreta e jamais olham para sua bunda da maneira que nós brasileiros costumamos fazer.
As mulheres argentinas da mesma forma, quando olham para um homem, olham de maneira discreta sem se oferecer. Também não costumam usar roupas curtas que expõe o corpo, tais como mini-blusas que deixam a barriga aparecer. Isso é muito difícil e não vimos enquanto estivemos na Argentina.
8 – O LENDÁRIO LA BOMBONERA
Em nosso terceiro dia na Argentina, já estávamos mais soltos para falar o espanhol com as pessoas nativas e o cérebro já estava maquinando em espanhol. É estranho como em poucos dias sua mente já começa a funcionar em outro idioma, em outra língua. Acredito que se ficássemos um mês na Argentina, teríamos dificuldade para falar o português nos primeiros dias que regressássemos para o Brasil.
Após o desayuno (café da manhã), pegamos um táxi em frente ao hotel e solicitamos ao taxista que nos levasse até o estádio do Boca Juniors.
Uma coisa que percebemos logo que de imediato é que para puxar papo (assunto) com os motoristas de táxis em Buenos Aires é só falar em futebol, que logo estabelecerá um ótimo diálogo com eles. Encontramos taxistas que torciam por inúmeros times, tais como Racing, San Lorenzo, River Plate, Atlanta, Boca Juniors, etc. Todos amam futebol, são fãs de alguns jogadores brasileiros, como Kaká , Ronaldinho e reconhecem que o Brasil é o maior rival da Argentina nas Américas.
Enfim, descemos em frente ao estádio do Boca Juniors que fica bem distante de onde estávamos hospedados. A corrida de táxi nos custou $ 19 pesos, cerca de R$ 13,00 reais.
Ao adentrar ao estádio você encontra uma bilheteria que vende ingressos para: a) um passeio no museu do Boca Juniors que fica dentro do estádio, b) um passeio dentro do estádio, ou pode comprar o ingresso para as duas coisas juntas. Nós preferimos comprar ingressos para o passeio em todo o estádio mais o museu do Boca Juniors. Cada ingresso nos custou $ 22 pesos (R$15,40).
Em um dos melhores passeios que fizemos em Buenos Aires, pudemos desfrutar da história e das instalações do mitológico estádio de La Bombonera e o museu do Boca Juniors.
Para quem não conhece o Boca Juniors, lembramos que a equipe foi fundada em 1905 por um grupo de italianos do bairro de La Boca, na cidade de Buenos Aires. O time acabou recebendo o nome do bairro, mais o sufixo ‘juniors”, para dar um toque britânico, e tirar um pouco a estigma de ser o clube do bairro que era, e continua sendo até os dias atuais, o mais pobre e latino que o resto da europeizada Buenos Aires.
O Boca Juniors é o segundo maior campeão da Taça Libertadores da América, com seis títulos. Seus fanáticos torcedores são conhecidos como “xeneizes” (Genoveses, no dialeto de imigrantes italianos que fundaram o bairro de La Boca) ou “Bosteros” (Os Bosteiros). Este jeito carinhoso de ser chamado, teve sua origem do fato de que o terreno onde se localiza o estádio La Bombonera ter sido, em tempos passados, uma fábrica de tijolos, que usava excremento animal como matéria-prima. Isso deixava um mau cheiro na vizinhança, e os rivais passaram a chamar os adeptos do Boca de “bosteros”, tanto que estes não mais se importam de ser chamados assim. Quanto ao uniforme azul e ouro da equipe, foi uma homenagem à bandeira do primeiro navio que atracou no cais da cidade de Buenos Aires na manhã seguinte a fundação do clube, no caso, uma bandeira sueca. O seu título mais recente é a Taça Libertadores da América de 2007.
O museu do Boca Juniors conta um pouco de toda esta história. Ele fica embaixo das arquibancadas do estádio e é constituído por inúmeras coisas que retratam toda a história vitoriosa da equipe. Uma estátua em bronze de Maradona – um dos maiores craques que a equipe já teve e que até hoje é torcedor fanático do time – paredes com estrelas contendo os nomes de todos os jogadores que já atuaram no time desde sua fundação, parede com foto de todos os atletas que já jogaram com a camisa do Boca, paredes com todas as camisas e uniformes que a equipe já teve, maquetes, troféus ganhos pela taça libertadores da América, Mundial Interclubes, Campeonato Argentino e outros campeonatos, monitores de computador contendo tudo sobre o Boca, televisores com imagens de todos os jogos e todas as campanhas em temporadas de determinado ano, entre outras curiosidades que fazem do museu do Boca Juniors um exemplo para muitos clubes de futebol do Brasil. Pode-se dizer que o Boca Juniors preserva e cuida com carinho de sua história. Neste local você pode ficar o tempo em que quiser e tirar fotos á vontade. Uma maravilha!
Dos nomes mais famosos que passaram ou que ainda estão no clube, podemos citar o técnico Carlos Bianchi, os jogadores Guillermo Barros Schelotto, Martín Palermo, Rodrigo Palacio Fernando Gago e Cata Díaz. Federico Insúa, Roberto Carlos “Pato” Abbondanzieri, Nicolás Burdisso, Carlitos Tevez, Gabriel Batistuta, Antonio Rattin, Hugo Gatti, Juan Román Riquelme, Blas Giunta, Silvio Marzolini, Alfredo Rojas, Navarro Montoya, entre outros. E é claro, acima de todos está a mitológica figura de Diego Armando Maradona, ídolo maior do futebol argentino e um dos grandes nomes da história do futebol mundial.
Para conhecermos as demais instalações do estádio, uma guia, muito simpática, nos conduziu juntamente com os demais turistas pelas arquibancadas, vestiários, sala de imprensa, cabines de televisão e gramado do estádio La Bombonera.
O Estádio La Bombonera impressiona pelo tamanho. Suas arquibancadas são muito altas e íngremes que dão a impressão que você está pendurado ao olhar para dentro do gramado. São extremamente encostadas no gramado! O gramado é muito pequeno, é a menor dimensão permitida pela FIFA. A torcida assiste aos jogos quase em cima dos jogadores. É muito próximo mesmo! Pude ver porquê os times brasileiros não conseguem ganham neste estádio. É muita pressão da torcida! Para cobrar um lateral ou um escanteio o jogador tem nas suas costas a torcida fungando no seu cangote. A arquibancada é colada com o gramado. Da arquibancada é possível conversar com o goleiro ou qualquer jogador em campo.
O formato do estádio é uma caixa de bombom e deve ser muito bacana assistir um jogo neste estádio, pela proximidade com que você vê os craques. De um lado da arquibancada é possível conversar com outra pessoa que esteja no lado oposto do outro lado da arquibancada, tamanha é á proximidade.
Durante os dias que estivemos em Buenos Aires, o campeonato Argentino estava de férias e todas as equipes estavam em outra cidade (Mar Del Plata) disputando um torneio de verão. Sendo assim, só pudemos assistir jogos dos times argentinos somente pela televisão. Uma pena!
Ainda no estádio La Bombonera, pudemos visitar os vestiários da equipe do Boca Juniors, um local bem espaçoso com bancos estofados, aparelhos de musculação, máquina de café, suco e refrigerantes, banheira gigante de hidromassagem, chuveiros, quadro negro para o treinador colocar as instruções táticas, etc. Ainda dentro do vestiário existe uma porta que dá acesso ao túnel que leva os jogadores até o gramado. O túnel é estreito (cerca de 50 centímetros de largura) e baixo (em alguns pontos 1,20 metros de altura). Jogadores altos têm que driblar o teto para não baterem a cabeça. O túnel passa por debaixo do gramado e sai ao lado do campo, bem ao lado da parede de vidro que separa a torcida do campo. É um cenário magnífico onde tivemos o prazer de pisar no gramado do estádio!
Ao terminar o passeio no interior do estádio, percebemos que a parte de suas instalações sociais são maiores do que o próprio gramado em si e as arquibancadas. Um passeio obrigatório para quem vai até Buenos Aires. História, mitologia, lenda e misticismo no palco dos deuses da bola.
Quando saímos do estádio, fomos passear nas lojinhas que ficam ao redor do estádio. Por fora o estádio aparenta ser muito maior do que realmente o é por dentro. Por fora suas arquibancadas aparentam ser dez vezes mais alta do que olhando por dentro.
Nas lojinhas que ficam do lado de fora, você pode encontrar muitos “regalos” (presentes) para comprar por um preço bem em conta (barato).
Devido ao pouco espaço de tempo que tínhamos para ficar na Argentina não pudemos conhecer outros estádios, como o Monumental de Nuñes, do River Plate e Avellaneda, do Racing, que são os maiores estádios da Argentina. Mas, conhecer o La Bombonera já foi o bastante para se ter noção da enorme paixão por futebol que envolve o povo argentino.
Em seguida pegamos um táxi e fomos até um bairro onde se vendem somente roupas de couro. A corrida nos custou $ 15 pesos (R$10 reais). As roupas de couro em Buenos Aires são bem mais baratas que no Brasil. Arrependi-me de não ter levado mais dinheiro. Uma jaqueta de couro que no Brasil custa R$ 500 ou R$ 600, em Buenos Aires custa cerca de R$ 60 a R$ 70. Neste bairro aproveitamos para almoçar, onde gastamos $ 45 pesos (R$ 32 reais) pela refeição completa.
9 – O TÚMULO DE EVITA PERÓN
Já na parte da tarde, do mesmo dia em que fomos ao estádio do Boca Juniors, pegamos um táxi por $ 4 pesos (R$2,80) e fomos até o cemitério da Recoleta, local onde está sepultada Evita Perón.
O cemitério da Recoleta é peculiar pela maneira com que são construídas suas sepulturas. São verdadeiras obras de arte, onde os caixões na maioria das vezes podem ser vistos através das portas de vidro. Ao contrario das sepulturas do Brasil onde as gavetas são fechadas com tijolos e cimento, neste cemitério os caixões ficam sobre balcões de mármore, dentro das sepulturas, podendo serem vistos por quem passa pelo lado de fora.
Evita Perón está enterrada no túmulo da família Duarte e é um lugar turístico onde geralmente encontram-se pessoas de várias partes do mundo fazendo visitação. Neste dia em que estivemos no local, encontramos muitos alemães, americanos, suecos e europeus que não soubemos discernir suas falas para identificar seus lugares de origem. O cemitério é muito bonito e um lugar que vale a pena visitar quando se vai até Buenos Aires.
María Eva Duarte de Perón, mais conhecida por Evita, nasceu na província de Buenos Aires em 7 de Maio de 1919 e morreu na cidade de Buenos Aires em 26 de Julho de 1952.
Em vida foi atriz e líder política Argentina, tornando-se primeira-dama da Argentina quando o general Juan Domingo Perón foi eleito presidente.
Ainda existem dúvidas e controvérsias sobre o local verdadeiro de seu nascimento. Em seu registro de nascimento consta ter sido na cidade de Junín na província de Buenos Aires. Porém, existem indícios de que na realidade ela tenha nascido em uma estância, sessenta quilômetros ao sul de Junín, próximo ao povoado de Los Toldos (no município de General Viamonte).
Com apenas dezesseis anos, Evita decidiu seguir a carreira artística e mudou-se sozinha para a capital argentina. Em 1937 estreou no cinema no filme Segundos Afuera e, em seguida, foi contratada para fazer radionovelas.
Já em 1944, conheceu Juan Domingo Perón, então vice-presidente da Argentina e ministro do Trabalho e da Guerra. No ano seguinte, Perón foi preso por militares descontentes com sua política, voltada para a obtenção de benefícios para os trabalhadores. Evita, então apenas a atriz Eva Duarte, organizou comícios populares que forçaram as autoridades a libertá-lo. Pouco depois se casou com Perón, que se elegeu presidente em 1946.
Famosa por sua elegância e seu carisma, Evita conquistou para o peronismo o apoio da população pobre, na maioria migrantes de origem rural a quem ela chamava de “descamisados”. Evita morreu com apenas 33 anos de idade, de câncer uterino.
Embalsamado, seu corpo ficou exposto à visitação pública até que, durante o golpe de Estado que derrubou Perón em 1955, seu cadáver foi roubado e enterrado em Milão, Itália. Dezesseis anos mais tarde, em 1971, o corpo foi exumado e transladado para a Espanha. Alí foi entregue ao ex-presidente Perón, que vivia exilado em Madri. Após a morte dele, o corpo regressou a Argentina onde foi exposto novamente por um breve período. Foi então enterrada novamente no mausoléu da família Duarte no cemitério da Recoleta, na cidade de Buenos Aires onde tivemos a honra de visitar durante nossa estadia na cidade.
10 – SUBTE O METRÔ
O metrô de Buenos Aires, chamado de subte, em espanhol, fica totalmente no sub-solo da cidade.
Nas grandes avenidas é possível ver em suas calçadas às entradas para o metrô. Ao descê-las você logo percebe o quanto são estreitas e baixas. O sub-solo do metrô de Buenos Aires é muito abafado.
A passagem (tarifa) do metrô argentino é muito atraente, pois é extremamente barata, $ 0,90 centavos de peso, cerca de R$ 0,48 de real. É uma viagem boa, rápida e barata.
Infelizmente deixamos para conhecer o metrô de Buenos Aires no penúltimo dia antes de voltarmos para o Brasil. Descobrimos que a maioria dos lugares que tínhamos ido de táxi, dava para ter ido de metrô e assim economizaríamos alguns pesos.
O trem do metrô em Buenos Aires é todo vermelho, com vagões antigos, mas muito bem conservados e em seu interior as poltronas são estofadas e aveludadas. Durante a viagem, um rapaz, com um violão toca tango dentro do vagão e todos o aplaudem quando ele termina. Algo típico e único do lugar. Muito bacana!
No metrô da cidade, você não vê pichações nos vagões do metrô, nem nas estações. Todas as instalações do metrô são muito limpas e organizadas. As plataformas têm monitores de televisão onde passam programações das emissoras de televisão de Buenos Aires enquanto os passageiros aguardam a chegada do trem.
Uma coisa interessante que vimos também no metrô foi que ao comprar e pagar a tarjeta (cartão de embarque), caso o trocador não tenha o troco para lhe devolver, ele devolve todo o seu dinheiro, abre a catraca e deixa você entrar sem pagar (de graça).
Ao terminarmos nosso passeio de metrô, fomos até um locutório para fazer uma ligação para minha mãe no Brasil. Em dez minutos de conversa, de Buenos Aires á Francisco Morato, no Brasil, pagamos $ 4,19 pesos (R$ 2,90). Muito barato!
11 – É HORA DE VOLTAR
E nosso terceiro dia em Buenos Aires estava chegando ao fim. No outro dia iríamos voltar ao Brasil. Uma pena, pois ainda tinham muitos outros lugares para conhecermos. Mas, não daria tempo!
Sendo assim, resolvemos fazer nossa última janta na Argentina. Gastamos $ 30 pesos (R$ 21,00). Nesta janta o que mais chamou a atenção foi justamente à parte onde pedi duas Sodas para o garçom e ele nos trouxe água com gás. Na Argentina Soda é água com gás, bem diferente da soda que tomamos ai no Brasil. Foi a única coisa que pedimos na Argentina achando que era uma coisa, e era outra!
Após jantarmos, fomos até o supermercado para comprarmos algumas coisas para trazer para o Brasil. Entre elas a cerveja Quilmes de 1 litro que não existe no Brasil, vinhos, biscoitos, etc.
Voltamos para o hotel e fomos arrumar nossas malas para viagem de volta no dia seguinte.
Já no outro dia, levantamos cedo e após o café da manhã, fomos dar uma caminhada nas ruas, nas imediações do hotel.
Ás 12 horas fomos almoçar ($33 pesos = R$ 23) e voltamos ao hotel para aguardarmos o pessoal da CVC que iriam nos levar até o aeroporto ás 15:10 horas, pois nosso vôo estava marcado para ás 18:10 horas.
Recolhemos nossas malas, saímos do quarto, descemos até a recepção e fizemos nosso check in de saída. Agradecemos á todos e aguardamos nosso transporte no saguão do hotel.
E assim, no horário combinado, o representante da CVC estava lá para nos conduzir até o aeroporto e trinta e cinco minutos depois lá estávamos nós no check in da TAM, no aeroporto internacional da Argentina, para voltar ao Brasil.
Com uma pontualidade britânica, o vôo saiu ás 18:10 horas em ponto de Bueno Aires e pela janela do avião vimos Buenos Aires ficando para trás na imensidão de sua planície, bem abaixo das nuvens que teimavam em ficar cada vez menores abaixo de nós.
E aqui estamos nós novamente no país tupiniquim, meu Brasil, minha terra, meu amor.
Trago na bagagem uma grande lição! A lição que ao sairmos para fora do Brasil, percebemos que ainda temos muito que aprender em relação à educação, modos, comportamento, conduta, respeito, amizade, entre outras coisas que fazem com que as pessoas se respeitem umas as outras. Temos muito que aprender com outros povos. Nós brasileiros somos um povo dotado de mentes inteligentes, mas que infelizmente usamos nossa inteligência para maquinar o mal, a sacanagem, a trapaça, a malandragem, etc. Temos que usar esta mesma inteligência, esta genialidade, para fazer algo positivo por nosso país. Algo que possamos nos orgulhar algum dia. Somos sim, um país abençoado por Deus e dotado de uma rica natureza. Temos as mulheres mais lindas, os bosques e florestas mais belas, uma riqueza sem igual, mas é preciso se conscientizar que podemos ser muito mais ainda, se deixarmos de pensar que o Brasil é o país do oba-oba.
Valeu a viagem, valeu tudo! Às vezes é preciso sair do país para enxergá-lo melhor. É preciso sair de si para se enxergar a si mesmo. Agradeço eternamente á Deus por mais esta oportunidade maravilhosa de viver a vida e usufruir momentos únicos. Peço a ele, que eu possa ter muitas outras experiências, tão fascinantes, como foi essa e outras em que já vivi.
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